domingo, 27 de fevereiro de 2011

Crise no Mundo Árabe - situação na Líbia

Conselho de Segurança da ONU decide congelar bens de Muamar Kadafi

Foi aprovado ainda um embargo às armas e enquadrar as ações do governo no Tribunal de Haia.

O Conselho de Segurança da ONU, presidido pela brasileira Maria Luiza Viotti, decidiu por unanimidade congelar os bens de Muamar Kadafi e de cinco integrantes da família do ditador líbio, assim como impor barreiras à viagens internacionais do ditador, de nove integrantes da família e de seis pessoas próximas ao governo. Foi aprovado ainda um embargo às armas e enquadrar as ações do governo no Tribunal de Haia.

Boa questão de prova podendo fazer relação com as ações do Conselho de Segurança da ONU nos últimos anos, destacando a questão do Irã e Coréia do Norte, dentre outros.

Abraços e bons estudos,

Professor Fernando Müller.

A Crise no Mundo Árabe - programa Globo News Painel - 27/02/2011.

Excelente programa! Interessante observar as considerações dos debatedores! Vale pra concurso e para se situar no mundo e no espaço. Interessante observar a relação do passado com o presente ("a terceira onda no mundo árabe: será a construção de uma sociedade cívil árabe no século XXI?).

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1650241-17665,00-PRIMAVERA+ARABE+PODE+INTERFERIR+NO+SETOR+DE+ENERGIA.html


Abraços e bons estudos!

Professor Fernando Müller.

Mercosul: imaturo aos 20 anos (1991-2011)

O Mercosul precisa de mais dez anos para ser um bloco sério e não um arremedo de união aduaneira, decidiram ministros e presidentes em mais um feliz convescote, desta vez em Foz do Iguaçu. A linguagem oficial foi autocomplacente, como sempre, e usou expressões como "aprofundamento da integração", mas o sentido é aquele mesmo. Em março o bloco vai festejar o vigésimo aniversário, mas continuará longe da maturidade, com bitributação aduaneira, Tarifa Externa Comum cheia de furos, barreiras comerciais internas, um regime automotivo aberrante e muita dificuldade para fixar objetivos comuns. Para manter a tradição, a presidente argentina, Cristina Kirchner, chegou à reunião ameaçando impor nova barreira contra produtos brasileiros - desta vez, toalhas. Será apenas mais um item numa longa lista, enriquecida, há pouco tempo, com a imposição de cotas para lençóis.

Os presidentes celebraram entretanto, no comunicado final, os feitos de 2010, apontado como um ano de "avanços importantes para a consolidação do bloco" e para a reafirmação da "força" e do "sentido estratégico do Mercosul como projeto de integração profunda e solidária". O palavrório foi o de sempre.

Incapaz de resolver os problemas internos de integração comercial e produtiva, o Mercosul tem falhado, também, na realização de acordos comerciais com os principais mercados. A façanha mais importante nessa área foi a conclusão de um acordo com sete economias classificadas como emergentes - Coreia do Sul, Índia, Egito, Indonésia, Malásia, Marrocos e Cuba. Esse pacto, muito menos amplo que um tratado de livre comércio, foi formalizado em Foz do Iguaçu. Outros países latino-americanos, como Chile, Colômbia e México,preferiram ficar de fora e avaliar depois se valerá a pena aderir.

A preferência ideológica pelas parcerias com países em desenvolvimento marcou outras decisões formalizadas em Foz do Iguaçu. Houve acordos de cooperação com Cuba, Síria e Autoridade Nacional Palestina. A negociação com a União Europeia, iniciada há mais de dez anos, continua em marcha lenta, depois de longa paralisação.

Nesse mundo de autocomplacência, fantasia e compromisso com bandeiras abandonadas há muito tempo nos países mais dinâmicos, a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encerramento da Cúpula Social - um evento paralelo - deve ter parecido bem razoável. No tom geral, foi mais um "até logo" de um presidente com perfil messiânico e inconformado com o fim do mandato. A peroração, como de costume, conteve muito autoelogio, um pouco de meias-verdades e uma ampla coleção de inverdades, apresentadas sem sinal de constrangimento.

A aproximação dos países latino-americanos, disse o presidente, foi a base do bom desempenho da região durante a crise iniciada em 2008. Isso não passa de meia-verdade. O comércio intrarregional contribuiu para a recuperação, mas isso é só um pedaço da história. Muitas economias latino-americanas estavam muito mais firmes do que nas décadas anteriores, graças à adoção de políticas fiscais e monetárias tradicionalmente combatidas pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva e pela esquerda regional.

Também segundo ele, há dez anos os presidentes sul-americanos disputavam para ver quem era mais amigo dos presidentes dos Estados Unidos e quem seria convidado para passar o fim de semana em Camp Davi. É uma afirmação inteiramente falsa em relação aos presidentes do Brasil e da maior parte dos países vizinhos, mas Lula não se impõe limites quando se entrega à fantasia. "O Mercosul tinha sido jogado na lata do lixo" e a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) era apresentada como a salvação da América do Sul, acrescentou. De novo, inverdades da primeira à última palavra. Todos os avanços de fato do Mercosul ocorreram só até aquele momento. O bloco entrou no atoleiro quando o presidente do Brasil decidiu sujeitar a política externa a suas fantasias e ambições de liderança.
Essa mesma decisão precipitou o fracasso da Alca - o que, afinal de contas, permitiu aos chineses ocupar espaços nos maiores mercados das Américas. O maior perdedor, obviamente, foi o Brasil.

Abraços e bons estudos,

Professor Fernando Müller.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Crise no Oriente Médio - Confira!!!

A servidão voluntária

25 de fevereiro de 2011 às 11:42h
Por Fábio Konder Comparato

As rebeliões populares que sacodem atualmente o mundo árabe têm, entre outros méritos, o de derrubar, não só vários regimes políticos ditatoriais em cadeia, mas também um mito político há muito assentado. Refiro-me à convicção, partilhada por todos os soi-disant cientistas políticos, de que um povo sem organização prévia e não enquadrado por uma liderança partidária ou pessoal efetiva, é totalmente incapaz de se opor a governos mantidos por corporações militares bem treinadas e equipadas,  com o apoio do poder econômico e financeiro do capitalismo internacional.
Pois bem, há quatro séculos e meio um pensador francês teve a ousadia de sustentar o contrário. Refiro-me a Etienne de la Boëtie, o grande amigo de Montaigne.  No Discurso da Servidão Voluntária, publicado após a sua morte em 1563, ele pronunciou um dos mais vigorosos requisitórios contra os regimes políticos e governos opressores da liberdade, de todos os tempos.
Seu raciocínio parte do sentimento de espanto e perplexidade diante de um fato que, embora difundido no mundo todo, nem por isso deixa de ofender a própria natureza e o bom-senso mais elementar. O fato de que um número infinito de homens, diante do soberano político, não apenas consintam em obedecer, mas se ponham a rastejar; não só sejam governados, mas tiranizados, não tendo para si nem bens, nem parentes, nem filhos, nem a própria vida.
Seria isso covardia? Impossível, pois a razão não pode admitir que milhões de pessoas e milhares de cidades, no mundo inteiro, se acovardem diante de um só homem, em geral medíocre e vicioso, que os trata como uma multidão de servos.
Então, “que monstruoso vício é esse, que a palavra covardia não exprime, para o qual falta a expressão adequada, que a natureza desmente e a língua se recusa a nomear?”
Esse vício nada mais é do que a falta de vontade. Os súditos não precisam combater os tiranos nem mesmo defender-se diante dele. Basta que se recusem a servi-lo, para que ele seja naturalmente vencido. Uma nação pode não fazer esforço algum para alcançar a felicidade. Para obtê-la, basta que ela própria não trabalhe contra si mesma. “São os povos que se deixam garrotear, ou melhor, que se garroteiam a si mesmos, pois bastaria apenas que eles se recusassem a servir, para que os seus grilhões fossem rompidos”.
No entanto – coisa pasmosa e inacreditável! –, é o próprio povo que, podendo escolher entre ser escravo ou ser livre, rejeita a liberdade e toma sobre si o jugo. “Se para possuir a liberdade basta desejá-la, se é suficiente para tanto unicamente o querer, encontrar-se-á uma nação no mundo que acredite ser difícil adquirir a liberdade, pela simples manifestação desse desejo?”
O que La Boëtie certamente não podia imaginar é que, durante os primeiros séculos do Brasil colonial, foi muito difundida a prática da servidão voluntária de indígenas maiores de 21 anos. Encontrando-se eles em situação de extrema necessidade, a legislação portuguesa da época permitia que se vendessem a si mesmos, celebrando um contrato de escravidão perante um notário público.
De qual quer modo, prossegue o nosso autor, a aspiração a uma vida feliz, que existe em todo coração humano, faz com que as pessoas, em geral, desejem obter todos os bens capazes de lhes propiciar esse resultado. Há um só desses bens que elas, não se sabe por quê, não chegam nem mesmo a desejar: é a liberdade. Será que isto ocorre tão-só porque ela pode ser facilmente obtida?
Afinal, de onde o governante, em todos os paises, tira a força necessária para manter os súditos em estado de permanente servidão? Deles próprios, responde La Boëtie.
“De onde provêm os incontáveis espiões que vos seguem, senão do vosso próprio meio? De que maneira dispõe ele [o tirano] de tantas mãos para vos espancar, se não as toma emprestadas a vós mesmos? E os pés que esmagam as vossas cidades, não são vossos? Tem ele, enfim, algum poder sobre vós, senão por vosso próprio intermédio?”
A conclusão é lógica: para derrubar os tiranos, os povos não precisam guerreá-los. “Tomai a decisão de não mais servir, e sereis livres”. Aí está, avant la lettre, toda a teoria da desobediência civil, que veio a ser desenvolvida muito depois que aquelas linhas foram escritas.
É de completa evidência, prossegue o autor, que somos todos igualmente livres, pela nossa própria natureza; e que o liame que sujeita uns à dominação dos outros é algo de puramente artificial. Mas então, como explicar que esse artifício seja considerado normal e a igualdade entre os homens não exista praticamente em lugar nenhum?
Para explicar esse absurdo da servidão voluntária, La Boëtie aponta algumas causas: o costume tradicional, a degradação programada da vida coletiva, a mistificação do poder, o interesse.
Foi por força do hábito, diz ele, que desde tempos imemoriais os homens contraíram o vício de viver como servos dos governantes. E esse vício foi, ao depois, apresentado como lei divina.
É também verdade que alguns governantes decidiram tornar mais amena a condição de escravo, imposta aos súditos, criando um sistema oficial de prazeres públicos; como, por exemplo, os espetáculos de “pão e circo”, organizados  pelos imperadores romanos.
Outro fator a concorrer para o mesmo efeito foi o ritual mistificador que os poderosos sempre mantiveram em torno de suas pessoas, oferecidas à devoção popular. O grotesco ditador Kadafi, com seus trejeitos de mau ator de opereta, nada mais fez do que reproduzir, mediocremente, vários tiranos do passado. “Antes de cometerem os seus crimes, mesmo os mais revoltantes”, lembrou La Boëtie, “eles os fazem preceder de belos discursos sobre o bem geral, a ordem pública e o consolo a ser dado aos infelizes”.
Por fim, a última causa geradora do regime de servidão voluntária, aquela que La Boëtie considera “o segredo e a mola mestra da dominação, o apoio e fundamento de toda tirania”, é a rede de interesses pessoais, formada entre os serviçais do regime. Em degraus descendentes, a partir do tirano, são corrompidas camadas cada vez mais extensas de agentes da dominação, mediante o atrativo da riqueza e das vantagens materiais.
No Egito de Mubarak, por exemplo, oficiais graduados das forças armadas ocupavam cargos de direção, muito bem remunerados, nas principais empresas do país, privadas ou públicas. Algo não muito diverso ocorreu entre nós durante o vintenário regime militar, com a tácita aprovação dos meios de comunicação de massa, a serviço do poder econômico capitalista.
Pois bem, se voltarmos agora os olhos para este “florão da América”, veremos um espetáculo bem diverso daquele que nos fascina, hoje, no Oriente Médio. Aqui, o povo não tem a menor consciência de ser explorado e consumido. As nossas classes dirigentes, perfeitamente instruídas na escola do capitalismo, nunca mostram suas fuças na televisão. Deixam essa tarefa para seus aliados no mundo político. Elas são anônimas, como a sociedade por ações. E o jugo que exercem é insinuante e atraente como um anúncio publicitário.
Por estas bandas o povão vive tranqüilo e feliz, na podridão e na miséria.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Folha de Exercícios - Analista INSS

Peço desculpas aos meus alunos pela demora na publicação desta folha aqui no blog. Mantenham contato para dúvidas. Abraços e sucesso!

Folha de Exercícios - Analista do INSS.

1.   (Agente PF 2009) Com relação à Usina Hidrelétrica
de Itaipu e ao acordo firmado entre Brasil e Paraguai, em julho de 2009, no qual são revistas cláusulas do Tratado de Itaipu, julgue os itens que se seguem.

(....) Segundo o acordo, o Paraguai pode vender parte da energia gerada por Itaipu diretamente no mercado de energia brasileiro.
(....) Localizada na fronteira brasileiro-paraguaia, Itaipu é a maior usina hidrelétrica do mundo em capacidade de geração de energia elétrica.
(....) Em contrapartida às concessões brasileiras, o Paraguai autorizou no acordo a instalação, em seu território, do gasoduto Patagônia-São Paulo.
(....) Os diretores e os conselheiros de Itaipu são indicados, em igual número, pelo governo brasileiro e pelo paraguaio.

2.   (Analista CVM – 2010) Protagonista de um dos
mais espetaculares êxitos econômicos do mundo contemporâneo, a China conheceu uma difícil trajetória desde 1949, quando Mao Tsé-Tung assumiu o poder e proclamou a República Popular. O atual milagre chinês resulta da:
A) abertura econômica iniciada por Deng Xiaoping
nos anos 1980, sob controle estatal, mas admitindo capitais privados.
B) Revolução Cultural comandada por Mao Tsé-Tung entre as décadas de 1960 e 1970, que recompôs o modelo socialista.
C) crise financeira mundial de 2007-2008, que tornou imprescindível a ativa presença chinesa no comércio global.
D) enorme disponibilidade de matéria-prima em seu território e de mão de obra farta, bem preparada e com alta remuneração.
E) grande oferta de produtos tecnologicamente sofisticados no mercado mundial facilmente comercializado apesar dos elevados preços.

3.   (Analista CVM – 2010) As últimas décadas do
século XX assistiram à consolidação de um longo processo histórico, basicamente – mas não exclusivamente – caracterizado pela conformação de um mercado efetivamente mundial. A essa nova realidade, comumente chamada globalização, agregam-se vários elementos, exceto:
A) presença de capitais financeiros de risco, chamados especulativos, que entram e saem rapidamente de um país.
B)incessantes inovações tecnológicas que impulsionam a produção e as comunicações.
C) rápida circulação de capitais pelos mercados financeiros, que também se globalizaram.
D) existência de empresas especializadas em calcular o grau de perigo que um país oferece aos investidores.
E) acentuada redução das desigualdades sociais,
entre países e entre os diversos continentes.

4.   (Téc. Legislativo Federal – Senado 2008)
"Época triste a nossa. É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito." (Albert Einstein)
O conhecimento que tornou possível o uso da energia nuclear derivou de pesquisas experimentais e teóricas sobre a estrutura do átomo, concentradas principalmente no fim do século XIX e na primeira metade do século XX. Desde então, proliferam argumentos favoráveis e desfavoráveis acerca do aproveitamento da energia atômica para fins diversos. A respeito do panorama da energia nuclear no mundo
contemporâneo, assinale a afirmativa incorreta.

(A) Apenas dois países que possuem arsenal nuclear declarado assinaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear: Estados Unidos e Rússia.
(B) Os países da Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) são os que concentram a maior capacidade instalada de usinas nucleares no mundo.
(C) O Paquistão faz parte do grupo de países que possuem arsenal nuclear declarado e que não assinaram o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
(D) A França é, em termos relativos, o país cujo consumo interno de energia produzida por reatores nucleares é o maior do mundo.
(E) O Brasil possui um acordo de cooperação com a Argentina para o desenvolvimento e a aplicação para uso pacífico da energia nuclear, assinado no início dos anos 1980.

5.   (Analista CVM – 2010) Particularmente conhecida
com os ataques de 11 de Setembro de 2001, entre muitos outros atos igualmente terroristas de que participou ou estimulou, a Al Qaeda pode ser definida como uma organização:
A) direitista, ideologicamente comprometida com o que restou do stalinismo.
B) politicamente totalitária, mas tolerante sob o ponto de vista religioso.
C) fundamentalista, anti-ocidental e anti-norte-americana.
D) contrária à tese da inevitabilidade do choque entre civilizações.
E) palestina.


6.   (Delegado PF – 2004 com adaptações)

Em meio a tanta notícia ruim, acaba de aparecer uma que ainda consegue ser pior, porque ameaça não apenas o presente, mas o futuro de nosso futuro, ou seja, as crianças e os adolescentes. Se hoje suas vidas já são o que são, a perspectiva para os próximos anos é de aumento da violência e da desnutrição, e de queda na qualidade da educação. No relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), essa talvez seja a revelação mais inquietante. O que será o amanhã em que meninos e meninas estarão mais desnutridos, menos educados e mais violentos? O diagnóstico foi elaborado por 27 ONGs que monitoram políticas públicas nessa área — entre as quais UNESCO, UNICEF, fundações ORSA e ABRINQ — depois de analisarem o cumprimento das 21 metas do plano Um Mundo para Crianças, ratificadas pelo Brasil e por mais 188 países. Quanto à educação, há pelo menos duas previsões desanimadoras: taxa de escolarização no ensino médio 15,73% abaixo do prometido e atendimento na primeira infância aquém do
esperado. Em relação à violência, o quadro é até previsível. De 1992 a 2002, os homicídios de pessoas de até 17 anos de idade aumentaram 136% — de 3 para 7,1 mortes por 100 mil habitantes.
Zuenir Ventura. O que será o amanhã? In: O Globo, 11/8/2004, p. 7 (com adaptações).

A partir do texto acima e considerando as múltiplas implicações do tema por ele abordado, julgue os itens subseqüentes.
(....) O texto reporta-se a trabalho realizado por organizações nãogovernamentais, as quais traduzem um modo de atuação na sociedade muito próprio do mundo contemporâneo, cuja presença em escala planetária afirma-se de maneira crescente, em especial a partir das últimas décadas do século XX.
(....) Provavelmente pela forte demanda, materializada sobretudo nos países emergentes, nos quais o quadro de desigualdade tende a ser maior, as ONGs concentram sua atuação no campo social, em particular nos setores da educação e da saúde.
(....)\Exaustivos estudos técnicos demonstram que a baixa incidência de ONGs em países em desenvolvimento, como o Brasil, e sua conseqüente inoperância decorrem da dificuldade — até agora intransponível — que encontram para firmar parcerias com o setor governamental, o que praticamente inviabiliza seu acesso a recursos públicos.
(....)Dois órgãos especializados da ONU — a UNESCO e o UNICEF — são citados no texto. Embora ambos estejam voltados para a área social, nenhum deles tem na educação um dos alvos centrais de sua atuação.
(....)O quadro de vulnerabilidade social a que o texto alude, em larga medida responsável pelo considerável aumento do número de homicídios de brasileiros com menos de 17 anos de idade, exclui as deficiências educacionais, a desestruturação familiar e as reduzidas possibilidades de acesso aos bens culturais, ao lazer e ao mercado de trabalho, explicando-se pelo cenário de violência presente na periferia dos centros urbanos.
(....) Entre as razões de desânimo que o autor do texto demonstra sentir em relação ao porvir, está a precária assistência prestada pelo Brasil à primeira infância. De fato, sabe-se que, entre outros aspectos, a deficiência alimentar, cognitiva e afetiva nessa faixa etária evidenciará seus efeitos negativos ao longo da vida.

7.   “O governo Fernando Collor (1990-1992): o novo
presidente, que tomou posse em 15 de março de 1990, prometia derrubar a inflação ‘com um tiro só’, acabar com a corrupção, modernizar e inserir o Brasil no mundo globalizado.”
BARBEIRO, H. História. São Paulo: Scipione, 2004. p. 465.
A respeito da gestão do presidente Fernando Collor de Melo, assinale a alternativa incorreta.
A) O pacote econômico apresentado pelo governo Fernando Collor de Melo ficou conhecido como Milagre Econômico.
B) Fernando Collor de Melo foi o primeiro presidente eleito pelo voto popular depois de mais de duas décadas sem o voto direto na escolha presidencial.
C) Dentre as medidas econômicas tomadas pelo governo Fernando Collor estava o congelamento de preços e de salários.
D) Durante o governo do presidente Fernando Collor, houve privatização de empresas estatais e retomada de negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
E) O governo do presidente Fernando Collor foi marcado por denúncias de corrupção que resultaram em seu afastamento da Presidência da República e na cassação de seus direitos políticos por oito anos.

8.   (UFMS) Entre 1994 e 2002, Fernando Henrique Cardoso governou o Brasil por dois mandatos. A respeito desse período, assinale a alternativa correta.
A) caracterizou-se por ambigüidade na área social, pois ao mesmo tempo que foram registradas quedas nos índices de mortalidade infantil e de analfabetismo, também houve aumento do índices de desemprego, de violência urbana e de concentração de renda.
B) caracterizou-se pelo acentuado crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que, entre 1998 e 2002, atingiu a média de 12,5% ao ano.
C) foi pautado por intensos investimentos em infra-estrutura, especialmente em energia elétrica, resultantes da bem sucedida política de estatização das empresas do setor.
D) foi marcado pela retomada do programa de estatização das empresas de telefonia e siderúrgicas, como a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional.
E) foi marcado pela abertura da economia para o mercado internacional, o que favoreceu o fortalecimento e a competitividade das empresas brasileiras, trazendo como conseqüências imediatas o aumento do número de postos de trabalho.
Abraços e bons estudos!

Professor Fernando Müller.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Acesso dos alunos ao meu Twitter

Caros alunos,

Estou abrindo espaço para vocês, meus alunos, me seguirem pelo Twitter (Fernando - ProfessorMuLLer).  A proposta é facilitar a nossa comunicação e troca de idéias, sugestões e comentários na mídia, além de responder a dúvidas.
Peço a vcs que mande obrigatoriamente texto explicando quem vocês são (nome), qual turma e de qual unidade estudam ou estudaram para que não sejam confundidos com desconhecidos ou indesejáveis.

Abraços,


Professor Fernando Müller.

Análise de nótícias do mundo - Demétrio Magnoli - Ouça e leia!

http://bandnewsfm.band.com.br/colunista.asp?ID=131

Um dos melhores especialistas em geopolítica, Demétrio Mangoli fala na BAND NEWS FM (94,9 FM) sempre as 17h40. Ótima dica para ouvir!

http://bandnewsfm.band.com.br/colunista.asp?ID=14

Excelentes comentaristas, Dora Kramer e Boris Casoi fala na BAND NEWS FM (94,9 FM) sempre Segunda a Sexta às 18h42 e as Segunda a Sexta às 4h17 e 6h57. Ótima dica para ouvir!

Abraços e bons estudos!

Professor Fernando Müller.

Um resumo, país a país, dos protestos que abalam o mundo árabe

Um resumo, país a país, dos protestos que abalam o mundo árabe

Os eventos no Egito, no Iêmen, na Argélia e na Jordânia são reflexos da Revolução de Jasmin, que derrubou a ditadura na Tunísia

Toda a agitação em países como o Egito, a Jordânia, o Iêmen e a Argélia é um eco da chamada Revolução de Jasmim, ocorrida na Tunísia na primeira quinzena de janeiro. O levante derrubou o ditador Zine al-Abidine Ben Ali, que estava no poder em seu país desde 1987. Os protestos que desencadearam a revolução tiveram seu estopim aceso em dezembro, quando um jovem vendedor de rua ateou fogo em seu próprio corpo como forma de protesto contra o governo e a situação insustentável no país.

O ato foi imitado por outros cidadãos do país, resultando em pelo menos cinco mortes e gerando um clima de mal-estar social e político. No dia 14 de janeiro, milhares de tunisianos saíram às ruas para protestar. No mesmo dia Ben Ali deixou o poder. As manifestações, que ganharam o nome de Revolução de Jasmim, começaram a repercutir em redes sociais como o Facebook. No dia 15 de janeiro o presidente do parlamento tunisiano assumiu temporariamente o poder.
Veja abaixo um resumo dos acontecimentos em outros países árabes onde há protestos contra o governo.

Argélia

Depois dos acontecimentos na Tunísia, a Argélia também foi palco de protestos. No começo de janeiro, grandes manifestações tomaram as ruas, em revolta contra o aumento do preço dos alimentos. Houve diversos confrontos entre policiais e a população. Dados divulgados pelo governo contabilizavam cinco civis mortos, e mais de 400 feridos, dentre eles, 300 policiais.

Jordânia

A última sexta-feira, 20 de janeiro, foi o primeiro dia de tensões na Jordânia. Multidões foram às ruas protestar, movidas pelas mesmas razões das manifestações na Argélia. A população gritava contra o aumento dos preços, a precariedade da política econômica do governo e o desemprego. Segundo informações de agências de notícias internacionais, os manifestantes usaram slogans que sugeriam que os líderes jordanianos teriam o mesmo destino do ditador da Tunísia. Apesar do clima de instabilidade, não houve confrontos com policiais. Nesta sexta-feira (28), cerca de seis mil ativistas foram para as ruas da Jordânia pedindo a renúncia do primeiro-ministro, Samir Rifai.

Iêmen 

Na última quinta-feira (27), a onda de levantes contra governos autoritários chegou ao Iêmen. Dezenas de milhares de pessoas se concentraram em pontos estratégicos da capital do país para manifestar seu desejo de renovação no governo. Os protestos manifestaram o repúdio da população à reeleição de Abdullah Saleh, que está no poder no país desde 1990. Uma eventual sucessão de Saleh por alguém escolhido por ele também foi rejeitada.

Egito

Apesar do clima de tensão no país ter começado pouco tempo depois dos incidentes na Tunísia, a situação piorou na última terça-feira (25). Uma série de protestos e tentativas de suicídio similares à do jovem tunisiano desencadearam o que os especialistas já chamam de "a pior oposição ao governo nas últimas décadas". Além da influência dos acontecimentos na Tunísia, as manifestações no Egito têm como motivação a precária condição em que vivem os habitantes e o governo autoritário vigente no país desde 1981. Os protestos ganharam força principalmente entre os jovens. Uma característica peculiar foi o papel de redes sociais como o Facebook na articulação dos manifestantes e na disseminação de seus ideais. Diante disso, nesta semana, o governo mandou cortar, no país todo, a comunicação por celular e pela internet. Nesta sexta-feira (28) novos confrontos entre policiais e a população aconteceram, desta vez com um apoio de peso: o reformista egípcio e ex-prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei se uniu a um grupo de protesto.

Outros protestos pelo mundo árabe ligado - pressão pela queda de ditaduras e conquista da liberdade (novos protestos no Iêmen e o início dos protestos na Líbia e Bahrein).

Centenas de manifestantes no Iêmen, Líbia e Bahrein voltaram a protestar, nesta quarta-feira (16), contra o governo de seus países. Os protestos vêm se intensificando desde a semana passada, quando os egípcios, depois de 18 dias nas ruas, conseguiram a renúncia do presidente Hosni Mubarak. Esse parece ser o objetivo final dos atuais protestos.
"O mundo está mudando. Se você está governando esses países, precisa adiantar-se às transformações. Não pode ficar atrás da curva", declarou o presidente americano Barack Obama, ao comentar a queda do presidente egípcio, mostrando-se atento às possíveis mudanças na região.

Nas manifestações de hoje no Iêmen, dois jovens morreram depois de terem sido atingidos por tiros em Aden, principal cidade do sul do país. Outras duas ficaram feridas, durante enfrentamentos entre as forças segurança e centenas de opositores do governo do presidente Ali Abdallah Saleh, no poder há 32 anos.
Na capital Sanaa, pelo menos quatro manifestantes ficaram feridos nos confrontos entre estudantes que protestavam contra o governo e simpatizantes do regime. Em outra mobilização na capital, centenas de juízes pediam a "independência do Poder Judiciário e a renúncia de todos os membros do Conselho Superior Judicial, incluindo o ministro da Justiça". Em Taez, ao sul de Sanaa, milhares de pessoas também pediram mudança de regime e oito pessoas foram feridas na dispersão.
Além de enfrentar a atividade da Al Qaeda, o Iêmen combate também rebeliões no norte e no sul do país, e está à beira de se tornar um "Estado falido". Diante dos recentes protestos, Saleh prometeu deixar o poder em 2013 e propôs diálogo com a oposição, mas os jovens querem adiantar esse processo.

No Bahrein, apesar da proibição, centenas de pessoas protestaram em localidades xiitas e confrontos também foram registrados.  As forças de segurança foram mobilizadas nos principais acessos à capital, Manama, para impedir uma passeata convocada por internautas. Um homem foi ferido em Nuidrat, segundo o governo. Mesmo assim, manifestações ocorreram no funeral de um manifestante morto na véspera pelas forças de segurança, e centenas de pessoas acamparam em uma praça do centro da capital para reclamar reformas e a demissão do primeiro-ministro.
Bahrein é um aliado dos Estados Unidos e abriga um quartel-general da Marinha americana. Em Washington, o Departamento de Estado disse que estava "muito preocupado" com a violência. O emirado é também tem um histórico de protestos motivados pelas dificuldades econômicas, a ausência de liberdades políticas e a discriminação sectária dos governantes sunitas contra a maioria xiita.

Na Argélia, mais de mil estudantes realizaram um protesto pacífico em frente ao Ministério da Educação Superior em Argel, contra um decreto presidencial que altera titulações e revisa o regime de remuneração dos professores e pede a volta ao sistema clássico de estudos.
"Escolas superiores, diplomas inferiores", "SOS, engenheiros em perigo" e "Não aceitaremos ser pisoteados", eram algumas das frases dos cartazes segurados por manifestantes, que também entregaram um documento com suas reivindicações aos responsáveis do ministério.
O sindicato argelino de ensino médio e técnico Cnapest convocou para o dia 2 de março uma greve em todo o país para reivindicar aumento dos salários e melhores condições de trabalho para os professores

Na Líbia, a madrugada também foi marcada por protestos contra o ditador Muammar Gaddafi. Segundo a imprensa local, ao menos 38 pessoas ficaram feridas em choques com forças de segurança. A agência de notícias oficial da Líbia não noticiou os protestos antigovern e informou apenas sobre as manifestações favoráveis a Gaddafi na capital, Trípoli, em Benghazi e outras cidades.
Para esta quinta-feira (17), os jovens convocaram, pela internet, uma jornada de protestos chamada de “o dia da revolta”. Sob o lema "Revolta de 17 de fevereiro de 2011: para fazer um dia da revolta na Líbia", a página do Facebook do grupo de opositores passou de 4.400 membros na segunda-feira a 9.600 nesta quarta-feira.

Abraços,

Bons estudos!

Professor Fernando Müller.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Entenda a crise no Egito

Entenda a crise no Egito

Hosni Mubarak comandou o país durante 30 anos.
Ele deixa cargo após 18 dias de levante popular.

http://g1.globo.com/crise-no-egito/noticia/2011/02/em-meio-protestos-presidente-do-egito-deixa-o-cairo.html

O Egito passa, neste começo de 2011, por uma mudança política desencadeada por uma revolta popular. Nesta sexta-feira (11), a renúncia do presidente Hosni Mubarak foi anunciada pelo vice-presidente do país, Omar Suleiman. Mubarak estava há 30 anos no poder.

A decisão ocorre após 18 dias de violentos protestos de rua que deixaram mais de 300 mortos e 5 mil feridos. O movimento popular  tem inspiração no levante que derrubou o presidente da vizinha Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, cujo
governo se prolongava havia 23 anos. Além do Egito, os levantes no mundo árabe inspirados no exemplo da Tunísia se espalharam por Jordânia, Iêmen, Argélia, Mauritânia, Sudão e Omã.

Aos 82 anos, Mubarak já havia apresentado alguns problemas de saúde e, depois da pressão popular, admitiu que não seria candidato a um sexto mandato na eleição presidencial. A
eleição está prevista para setembro deste ano.

Analistas acreditavam que ele iria tentar emplacar seu filho, Gamal Mubarak, como sucessor no comando do Partido Nacional Democrático (PND), o maior do país. Entretanto, Gamal e outras lideranças
deixaram o partido no sábado (5). Nesta sexta, o secretário-geral do partido, Hossam Badrawi, renunciou ao cargo dizendo que o país em crise "precisa de novos partidos".

Um dia antes da renúncia, Mubarak fez discurso na TV e afirmou que pretende continuar no governo até setembro, à frente da transição de poder. Ele também disse que iria transferir poderes ao seu vice, Omar Suleiman.

Partido

O partido domina o Parlamento e esteve todos estes anos a serviço do ex-presidente, que também comandava as Forças Armadas. Mas a estabilidade deste ex-militar da Aeronáutica, principal aliado do Ocidente entre os países árabes, se viu pela primeira vez ameaçada.

No final de janeiro, a oposição no Egito se uniu pela primeira vez para integrar os protestos iniciados em 25 de janeiro. Principal força oposicionista, a Irmandade Muçulmana, que tinha deixado aos seus membros a possibilidade de participar dos protestos, anunciou seu apoio oficial dias depois.

O posicionamento da Irmandade Muçulmana, organização da qual se originou a facção palestina Hamas, representou um novo desafio ao governo de Mubarak.
Somou-se a isto o retorno ao país do Nobel da Paz e ex-presidente da Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU, Mohamed ElBaradei. Ele, que conta com a simpatia do Ocidente, expressou sua disposição de assumir um eventual governo de transição e não descartou concorrer nas eleições de setembro.

O presidente dos EUA, Barack Obama, que tem no Egito o principal aliado no mundo árabe, também pressionou pela saída imediata de Mubarak. Líderes da União Europeia se juntaram aos apelos pela renúncia.

Até mesmo aliados de Mubarak, como o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia, Mostapha al Fekki, também membro do Partido Nacional Democrata, pediram ao presidente egípcio "reformas sem precedentes" para evitar uma revolução no Egito.

mapa do egito com dados (Foto: Editoria de Arte / G1)
Pressionado, Mubarak anunciou que não iria disputar a reeleição, nem mesmo tentar lançar o filho como sucessor. O governo também anunciou concessões, como um aumento de 15% nos salários do funcionalismo e nas aposentadorias.
Pela primeira vez em 30 anos de regime, Mubarak nomeu um vice-presidente, Omar Suleiman, que assumiu o comando das negociações com a oposição, e novos ministros. Em sua primeira reunião, o novo gabinete ministerial prometeu investigar casos de fraude eleitoral e corrupção no serviço público.
As medidas, no entanto, foram consideradas "vagas" pela oposição, que continou a reunir centenas de milhares de manifestantes na praça Tahrir, local que se tornou símbolo dos protestos antigoverno.TecnologiaA dura repressão aos protestos no Egito provocou reações de diversos países. A ONU estima que mais de 300 pessoas tenham morrido e que 4.000 ficaram feridos desde o início das manifestações. Houve intimidação e violência contra jornalistas, inclusive brasileiros.
O uso de redes sociais para convocar as manifestações fez com que a internet e o sinal de algumas operadoras de telefonia celular fossem interrompidos – o governo negou intervenção.

Relação com os EUAA proliferação de revoltas para países menores preocupa autoridades ocidentais pela fragilidade destes regimes. Outra preocupação do mundo Ocidental é com relação a Israel, já que, atualmente, só dois países da região têm tratados de paz com o país: Egito e Jordânia.
O número dois da diplomacia americana, James Steinberg, anunicou que os Estados Unidos trabalharão para assegurar que a violência desatada no Egito não crie "novos perigos para Israel ou a região".