quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um resumo, país a país, dos protestos que abalam o mundo árabe

Um resumo, país a país, dos protestos que abalam o mundo árabe

Os eventos no Egito, no Iêmen, na Argélia e na Jordânia são reflexos da Revolução de Jasmin, que derrubou a ditadura na Tunísia

Toda a agitação em países como o Egito, a Jordânia, o Iêmen e a Argélia é um eco da chamada Revolução de Jasmim, ocorrida na Tunísia na primeira quinzena de janeiro. O levante derrubou o ditador Zine al-Abidine Ben Ali, que estava no poder em seu país desde 1987. Os protestos que desencadearam a revolução tiveram seu estopim aceso em dezembro, quando um jovem vendedor de rua ateou fogo em seu próprio corpo como forma de protesto contra o governo e a situação insustentável no país.

O ato foi imitado por outros cidadãos do país, resultando em pelo menos cinco mortes e gerando um clima de mal-estar social e político. No dia 14 de janeiro, milhares de tunisianos saíram às ruas para protestar. No mesmo dia Ben Ali deixou o poder. As manifestações, que ganharam o nome de Revolução de Jasmim, começaram a repercutir em redes sociais como o Facebook. No dia 15 de janeiro o presidente do parlamento tunisiano assumiu temporariamente o poder.
Veja abaixo um resumo dos acontecimentos em outros países árabes onde há protestos contra o governo.

Argélia

Depois dos acontecimentos na Tunísia, a Argélia também foi palco de protestos. No começo de janeiro, grandes manifestações tomaram as ruas, em revolta contra o aumento do preço dos alimentos. Houve diversos confrontos entre policiais e a população. Dados divulgados pelo governo contabilizavam cinco civis mortos, e mais de 400 feridos, dentre eles, 300 policiais.

Jordânia

A última sexta-feira, 20 de janeiro, foi o primeiro dia de tensões na Jordânia. Multidões foram às ruas protestar, movidas pelas mesmas razões das manifestações na Argélia. A população gritava contra o aumento dos preços, a precariedade da política econômica do governo e o desemprego. Segundo informações de agências de notícias internacionais, os manifestantes usaram slogans que sugeriam que os líderes jordanianos teriam o mesmo destino do ditador da Tunísia. Apesar do clima de instabilidade, não houve confrontos com policiais. Nesta sexta-feira (28), cerca de seis mil ativistas foram para as ruas da Jordânia pedindo a renúncia do primeiro-ministro, Samir Rifai.

Iêmen 

Na última quinta-feira (27), a onda de levantes contra governos autoritários chegou ao Iêmen. Dezenas de milhares de pessoas se concentraram em pontos estratégicos da capital do país para manifestar seu desejo de renovação no governo. Os protestos manifestaram o repúdio da população à reeleição de Abdullah Saleh, que está no poder no país desde 1990. Uma eventual sucessão de Saleh por alguém escolhido por ele também foi rejeitada.

Egito

Apesar do clima de tensão no país ter começado pouco tempo depois dos incidentes na Tunísia, a situação piorou na última terça-feira (25). Uma série de protestos e tentativas de suicídio similares à do jovem tunisiano desencadearam o que os especialistas já chamam de "a pior oposição ao governo nas últimas décadas". Além da influência dos acontecimentos na Tunísia, as manifestações no Egito têm como motivação a precária condição em que vivem os habitantes e o governo autoritário vigente no país desde 1981. Os protestos ganharam força principalmente entre os jovens. Uma característica peculiar foi o papel de redes sociais como o Facebook na articulação dos manifestantes e na disseminação de seus ideais. Diante disso, nesta semana, o governo mandou cortar, no país todo, a comunicação por celular e pela internet. Nesta sexta-feira (28) novos confrontos entre policiais e a população aconteceram, desta vez com um apoio de peso: o reformista egípcio e ex-prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei se uniu a um grupo de protesto.

Outros protestos pelo mundo árabe ligado - pressão pela queda de ditaduras e conquista da liberdade (novos protestos no Iêmen e o início dos protestos na Líbia e Bahrein).

Centenas de manifestantes no Iêmen, Líbia e Bahrein voltaram a protestar, nesta quarta-feira (16), contra o governo de seus países. Os protestos vêm se intensificando desde a semana passada, quando os egípcios, depois de 18 dias nas ruas, conseguiram a renúncia do presidente Hosni Mubarak. Esse parece ser o objetivo final dos atuais protestos.
"O mundo está mudando. Se você está governando esses países, precisa adiantar-se às transformações. Não pode ficar atrás da curva", declarou o presidente americano Barack Obama, ao comentar a queda do presidente egípcio, mostrando-se atento às possíveis mudanças na região.

Nas manifestações de hoje no Iêmen, dois jovens morreram depois de terem sido atingidos por tiros em Aden, principal cidade do sul do país. Outras duas ficaram feridas, durante enfrentamentos entre as forças segurança e centenas de opositores do governo do presidente Ali Abdallah Saleh, no poder há 32 anos.
Na capital Sanaa, pelo menos quatro manifestantes ficaram feridos nos confrontos entre estudantes que protestavam contra o governo e simpatizantes do regime. Em outra mobilização na capital, centenas de juízes pediam a "independência do Poder Judiciário e a renúncia de todos os membros do Conselho Superior Judicial, incluindo o ministro da Justiça". Em Taez, ao sul de Sanaa, milhares de pessoas também pediram mudança de regime e oito pessoas foram feridas na dispersão.
Além de enfrentar a atividade da Al Qaeda, o Iêmen combate também rebeliões no norte e no sul do país, e está à beira de se tornar um "Estado falido". Diante dos recentes protestos, Saleh prometeu deixar o poder em 2013 e propôs diálogo com a oposição, mas os jovens querem adiantar esse processo.

No Bahrein, apesar da proibição, centenas de pessoas protestaram em localidades xiitas e confrontos também foram registrados.  As forças de segurança foram mobilizadas nos principais acessos à capital, Manama, para impedir uma passeata convocada por internautas. Um homem foi ferido em Nuidrat, segundo o governo. Mesmo assim, manifestações ocorreram no funeral de um manifestante morto na véspera pelas forças de segurança, e centenas de pessoas acamparam em uma praça do centro da capital para reclamar reformas e a demissão do primeiro-ministro.
Bahrein é um aliado dos Estados Unidos e abriga um quartel-general da Marinha americana. Em Washington, o Departamento de Estado disse que estava "muito preocupado" com a violência. O emirado é também tem um histórico de protestos motivados pelas dificuldades econômicas, a ausência de liberdades políticas e a discriminação sectária dos governantes sunitas contra a maioria xiita.

Na Argélia, mais de mil estudantes realizaram um protesto pacífico em frente ao Ministério da Educação Superior em Argel, contra um decreto presidencial que altera titulações e revisa o regime de remuneração dos professores e pede a volta ao sistema clássico de estudos.
"Escolas superiores, diplomas inferiores", "SOS, engenheiros em perigo" e "Não aceitaremos ser pisoteados", eram algumas das frases dos cartazes segurados por manifestantes, que também entregaram um documento com suas reivindicações aos responsáveis do ministério.
O sindicato argelino de ensino médio e técnico Cnapest convocou para o dia 2 de março uma greve em todo o país para reivindicar aumento dos salários e melhores condições de trabalho para os professores

Na Líbia, a madrugada também foi marcada por protestos contra o ditador Muammar Gaddafi. Segundo a imprensa local, ao menos 38 pessoas ficaram feridas em choques com forças de segurança. A agência de notícias oficial da Líbia não noticiou os protestos antigovern e informou apenas sobre as manifestações favoráveis a Gaddafi na capital, Trípoli, em Benghazi e outras cidades.
Para esta quinta-feira (17), os jovens convocaram, pela internet, uma jornada de protestos chamada de “o dia da revolta”. Sob o lema "Revolta de 17 de fevereiro de 2011: para fazer um dia da revolta na Líbia", a página do Facebook do grupo de opositores passou de 4.400 membros na segunda-feira a 9.600 nesta quarta-feira.

Abraços,

Bons estudos!

Professor Fernando Müller.

2 comentários:

  1. gostei muito fis um trabalho sem me preocupar e ganhei mnota dez na facudade obj bejos

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  2. Muito bom o seu blog,estudei atualidades por aqui para o vestibular. Gostei da sua iniciativa, abraços.

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