quinta-feira, 29 de março de 2012

Protestos na Espanha contra o desemprego e plano do governo

Alunos: atenção para a parte em destaque no texto.

Manifestantes e policiais se enfrentam durante greve geral na Espanha

Jovens atearam fogo em cafeteria e contêineres de lixo e entraram em confronto com a polícia, que se viu cercada e teve de recuar


29 de março de 2012 | 16h 06

BARCELONA - Apesar de a greve geral contra as medidas de austeridade e o alto nível de desemprego na Espanha terem iniciado de forma pacífica, os confrontes de rua tornaram-se violentos em algumas regiões. Por volta das 18h30 (13h30 no Brasil), manifestantes e policiais se enfrentaram na esquina da rua San Pere com o Passeio de Gracia, no centro de Barcelona. O clima ficou tenso depois de um grupo de pessoas atear fogo em contêineres de lixo e impedir o acesso dos furgões da equipe antidistúrbios.
Os policiais foram cercados pelos dois lados da rua e tiveram de recuar em razão da ofensiva dos manifestantes. Eles usaram pedras e bombas para coagir os guardas. Houve correria e algumas pessoas tentaram se abrigar nos vãos das portas de hotéis e lojas.
Pouco antes, um restaurante foi obrigado a fechar as portas diante da ameaça de vandalismo de uma parte dos indignados. Jovens também atearam fogo em uma cafeteria, próxima ao local de enfrentamento. Por toda a cidade é possível ver entidades bancárias quebradas. O jornal espanhol El Mundo falou em "outra batalha campal" no centro de Barcelona.
Às 20h22, a polícia usou balas de borracha para dispersar os manifestantes e os confrontos se intensificaram. Trinta e oito pessoas foram detidas na Catalunha até o memento.
A indústria automotiva da Espanha, que está concentrada na Catalunha, parou. Operários não foram trabalhar nas fábricas das montadoras SEAT e Nissan, segundo o El Mundo. Os metalúrgicos protestam contra a reforma trabalhista defendida pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy, de centro-direita.
A greve geral, convocada pelos dois maiores sindicatos espanhóis, deve continuar até a meia-noite do horário local.
Madri
Nas ruas do centro de Madri havia um pouco mais de trânsito do que o normal, já que mais pessoas usaram seus carros para ir para o trabalho. O governo regional da capital entrou num acordo com as operadores de transporte público para que operassem com no mínimo 30% de sua capacidade. Em Madri, a Prefeitura disse que a adesão à greve foi de 26% do funcionalismo público, de acordo com o jornal El País.
Na estação de metrô e trem Sol havia menos atividade do que de costume. Lidia Castillo, garçonete de um restaurante próximo, disse que havia menos pessoas do que o normal no trem, que a trouxe do subúrbio de Villaverde. Segundo ela, os trens passam em intervalos de 20 a 30 minutos, em vez dos 10 a 15 minutos habituais.
Grupos de manifestantes pacíficos apitavam e agitavam bandeiras. Um pequeno grupo parou em frente a um café e colou adesivos na vitrine, antes de um garçom sair e mandá-los embora. "Greves não resolvem nada", disse o garçom Andres.
Em outras partes de Madri, seis policiais ficaram levemente feridos em confrontos com grupos sindicais e manifestantes contrários às políticas de austeridade, informou um porta-voz do Ministério do Interior. Manifestantes bloquearam estradas na Catalunha e em Valência, no leste do país, e fecharam parques industriais em Zaragoza, no norte, de acordo com uma associação de empresas de transporte.
A lei de reforma trabalhista tem como objetivo tornar mais fácil para as empresas demitir e contratar funcionários e é vista pelo governo com uma forma de reduzir a taxa de desemprego no país, que é de 23% e a maior da zona do euro. O projeto foi saudado por autoridades da União Europeia. O governo espanhol diz que se trata do mais importante projeto aprovado neste ano, mas os sindicatos afirmam que ela vai resultar numa taxa de desemprego ainda maior.

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