quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Os principais conflitos político-militares em andamento no século XXI - parte 3 - Israel x Palestina

Os principais conflitos político-militares em andamento no século XXI

No mundo pós Guerra Fria, conflitos étnicos e religiosos, disputas por riquezas naturais, lutas separatistas e atentados terroristas comprometem em diversas nações e ameaçam a segurança internacional. Após o fim da Guerra Fria, a perda do patrocínio norte-americano e soviético obrigou guerrilhas a buscar novas formas para custear a luta armada. A globalização com a liberalização do comércio e a facilidade de comunicação com novas tecnologias permitiu um maior fluxo de dinheiro sujo obtidos por práticas ilegais (tráfico de drogas e comércio de pedras preciosas). Milícias armadas (guerrilhas) financiam suas atividades (exércitos, armas, munições, treinamento, etc.) com a produção e o comércio da cocaína, ópio, maconha ou pela exploração de riquezas naturais em seus domínios.

·       Israel x Palestina: Judeus e árabes são povos de cultura milenar. Na Antiguidade, os judeus conseguiram estabelecer um Estado organizado na Palestina (Israel), enquanto os árabes viviam ainda de forma dispersa. A decadência de Israel foi seguida por um conjunto de ocupações estrangeiras e momentos de cativeiro (o domínio dos babilônios levou a primeira diáspora). A última dominação se deu com o Império Romano, no início da Era Cristã (70 d.C.) que pelo general Tito destruiu Jerusalém e expulsou os judeus do seu território (segunda diáspora). Os árabes foram unificados em torno do islamismo com os ensinamentos de Maomé na península arábica. No século VII ocorreu a expansão árabe na região ocupando a Palestina (ano 636) e converteram a maioria dos habitantes ao islamismo. Os povos árabes foram reunidos na fundação do Império Otomano (Osman I), a partir de 1299. Após sucessivas invasões a Palestina foi incorporada ao império Turco Otomano por um longo período (1517 a 1917). Ao longo dos séculos os judeus sofreram com várias perseguições, mas mantendo a sua unidade como povo (sem pátria e sem um Estado) em torno da religião e cultura judaica. No século XIX (1897) ressurge a luta pela formação de um Estado judaico com o movimento sionista. Esta ação deu início a migração de judeus para a Palestina nos anos seguintes. O fim do Império Otomano em 1917 sinalizou a transferência da Palestina para a Inglaterra. Nesta época o chanceler britânico Arthur Balfour anunciou o apoio a criação de um Estado judaico e de outro palestino independente (árabes). O fluxo de judeus para a Palestina foi intensificado com o impacto da perseguição aos judeus pelo regime nazista de Adolf Hitler, a partir de 1933.
No final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ocorreu o aumento o apoio internacional à criação de um Estado judaico, após a notícia do massacre de seis milhões de judeus nos campos de extermínio nazistas (holocausto). A recém criada ONU (1945) ficou responsável pela Palestina e aprovou a criação de dois Estados – um para os judeus e outro para os palestinos. “A Partilha da Palestina” favoreceu os judeus em detrimento dos palestinos (70% dos habitantes são palestinos em um território bem menor do que a sua ocupação original em dois territórios distintos – a Faixa de Gaza e a Cisjordânia). A recusa dos palestinos à proposta da ONU deu início a Guerra de Independência de Israel (1948-1949) unindo os países árabes (Egito, Síria, Líbano, Jordânia e Iraque) contra o recém-criado Estado de Israel (1948). A tensão entre palestinos e israelenses só aumentou com novos conflitos (Guerra dos Seis Dias, em 1967 e a Guerra do Yom Kippur, em 1973) que permitiram o aumento do domínio de Israel sobre a Palestina. Paralelamente a isso, os palestinos criaram o seu próprio movimento de luta com a fundação da OLP (Organização para Libertação da Palestina), em 1964. Em 1969 elegeram o grande líder da causa palestina, Yasser Arafat como chefe da OLP. A aproximação dos EUA (principal aliado de Israel) com países árabes (Arábia Saudita, Iraque e Egito) ajudou a esvaziar a defesa da questão palestina. O esvaziamento internacional da causa palestina e das seguidas humilhações provocou em 1987 o surgimento da primeira Intifada (sobressalto ou Guerra das Pedras) provocando violenta repressão das forças israelenses. O massacre de palestinos desgastou a imagem de Israel e despertou o apoio internacional para a causa palestina. Neste contexto de tensão surge a organização islâmica palestina conhecida como Hamas (visto depois como grupo terrorista pelo Ocidente).
A real possibilidade de paz na Palestina teve início no encontro histórico entre os presidentes Primeiro-Ministro de Israel Menachem Begin e o presidente do Egito Anwar Sadat em 1978, em Camp David (EUA). O momento maior, porém ocorreu de outro encontro histórico entre Israel (Itzhak Rabin) e a OLP (Yasser Arafat) firmando o Acordo de Oslo (1993). O acordo estabelecia a retirada das tropas israelenses dos territórios ocupados e ampliando a área da Cisjordânia sob administração dos palestinos. O acordo também reconhece a OLP como um governo legítimo passando a ser chamada ANP (Autoridade Nacional Palestina). Por outro lado, grupos ultranacionalistas e radicais fundamentalistas se opuseram a devolução de territórios palestinos e assassinaram Rabin em 1995. A repercussão do assassinato de Rabin, os impasses na expansão do Acordo de Oslo e a conseqüente formação de um governo de direita fez retornar os conflitos entre israelenses e palestinos. As tentativas de retomar os acordos de paz não obtiveram resultados práticos (Camp David, em 2000 e o Mapa da Paz, em 2003).
A tensão na Palestina aumentou consideravelmente quando o líder do Likud (direita), Ariel Sharon visitou a Esplanada das Mesquitas (set.2000) reafirmando o domínio de Israel na região, mas visto como território sagrado para os árabes. Milhares de árabes protestaram dando início a segunda Intifada (2000-2004) aumentando as ações do exército israelense (governo direitista apoiado pelos fundamentalistas judeus), inclusive com pesados ataques aos palestinos nos territórios ocupados. Neste contexto temendo ataques terroristas sobre seu território Israel manda construir um muro que separa os territórios palestinos de Israel em 2002 (o novo Muro da Vergonha). O conflito persistiu fortemente em 2005 com a oposição israelense a retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon, com a destruição dos assentamentos judaicos na região. A eleição do Hamas para o Parlamento palestino, em 2006 é outro capítulo da história recente do conflito. A chegada do Hamas ao poder palestino (indicou o primeiro-ministro palestino, o líder do Hamas, Ismail Haniyeh) isola a Palestina da comunidade internacional com a oposição dos EUA, União Européia e de Israel. O Ocidente não aceita negociar com o Hamas enquanto este não depuser as armas e reconhecer a existência do Estado de Israel. Após uma tentativa frustrada de aliança política entre a ANP e o Hamas para governar a Palestina, a ANP dissolve o parlamento e restabelece as negociações com o Ocidente. O desfecho cria dois estados palestinos: Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas e a Cisjordânia, controlada pela ANP.
O governo Barack Obama sinaliza com a busca pelo diálogo para a retomada das negociações de paz, mas dificilmente romperá com Israel (principais assessores são defensores de Israel) e nenhuma conquista pela paz foi conseguida até então.
Hoje o processo de paz se mostra um sonho distante de ser concretizado após novos incidentes na região: o anúncio de Israel pela incorporação de áreas palestinas ao seu patrimônio histórico (Túmulo de Raquel e o Túmulo dos Patriarcas – fev. 2010), o ataque do exército israelense contra barcos que levava ajuda humanitária a Faixa de Gaza (maio 2010) e a retomada da construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia. (set. 2010). Neste contexto de desgaste da política israelense inclui-se o fortalecimento do Irã na região com sua oposição a Israel, assim como o crescimento político do grupo radical islâmico Hezbolah no Líbano (após a repercussão negativa para Israel do ataque a este país em 2006).

Nenhum comentário:

Postar um comentário