quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Os principais conflitos político-militares em andamento no século XXI - Daffur e Afeganistão (CVM, INSS, Ed. Infantil e PF Administrativo)

·       Combates em Dafur (Sudão): Como todo conflito africano (tensão étnica e religiosa na Costa do Marfim, na Rep. Democrática do Congo e na Somália) é consequência da exploração colonial e da demarcação arbitrária das fronteiras políticas do continente africano. Medida imposta pelas potências européias na formação das novas nações africanas. Estas ignoraram as fronteiras naturais dos povos e etnias africanas (grupos hostis em uma mesma nação; separação de povos de uma mesma origem em países diferentes) criando um cenário de constantes rivalidades e confrontos armados. O conflito em Dafur foi causado pela disputa de terras entre grupos apoiados pelo governo sudanês (janjaweed) e grupos rebeldes locais (tribos de agricultores) no oeste do Sudão, em 2003. Os atritos também são causados por disputas étnicas (criadores x agricultores) e a busca dos rebeldes pela independência da região rejeitando o poder do governo sudanês. O conflito se arrastou por anos gerando inúmeras atrocidades humanitárias o que despertou atenção internacional. A ONU envia força de paz (Unamid) para pacificar a região em 2008. Oficialmente o conflito acabou em 2009, mas a violência na região persiste. A guerra deixou um saldo de 300 mil de mortos e 2,7 milhões de refugiados.




·       Colômbia x FARC: O conflito teve início a partir de 1964 quando movimentos guerrilheiros camponeses comunistas se refugiam nas regiões montanhosas da selva colombiana fugindo dos ataques do governo colombiano. Habitando nessas regiões esses camponeses criaram as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), por influência do sucesso da Revolução Cubana, de 1959. A proposta inicial da organização era o uso de táticas de guerrilha e luta pela implantação do socialismo na Colômbia. As FARC recebiam inclusive apoio da URSS na luta da Guerra Fria. Nos anos 80, a crise da URSS interrompeu o financiamento e o grupo guerrilheiro passou a se envolver com o tráfico ilícito de entorpecentes se afastando das suas origens. Em 1998 o governo colombiano (Andrés Pestana) cedeu uma enorme área desmilitarizada na tentativa de iniciar conversações de paz com o grupo. A iniciativa foi frustrada em 2000 pelos constantes ataques as FARC por forças paramilitares (milícias paramilitares de direitas conhecidas como Autodefesas Unidas da Colômbia). Novo governo é instalado em 2002 (Álvaro Uribe) e consegue vitórias sobre os guerrilheiros diminuindo a violência e a criminalidade e desfruta de popularidade alta. Em 2008, o governo Uriba perde força com a repercussão negativa da invasão do território equatoriano para combater a guerrilha e a morte de guerrilheiros como um dos líderes Raul Reyes. A acusação de Álvaro Uribe contra Rafael Correia (presidente do Equador) e Hugo Chavez (presidente da Venezuela) como financiadores das FARC provoca uma grave crise diplomática e a iminência de guerra nas fronteiras. O incidente gerou críticas internacionais ao governo Uribe resolvido aparentemente em uma reunião urgente da OEA. O atrito entre o governo e as FARC continuou diante da repercussão do salvamento da militante Ingrid Bittencourt e outros 15 reféns em 2008, anunciado como o grande feito de Álvaro Uribe. Os escândalos de envolvimento com o tráfico de drogas e de ligações com o traficante Pablo Escobar, de apoio aos paramilitares de direita abalaram a sua imagem. As ações de Uribe geraram desgastes com países vizinhos como Brasil e Venezuela e até agora não elimiraram a ameaça da hoje enfraquecida mas ainda viva as FARC. Exemplo disso foi a aplicação do “Plano Colômbia” e a autorização para que os EUA usem bases militares colombianas. O plano é a intervenção dos Estados Unidos no país com o pretexto de se combater o narcotráfico. E o uso das bases militares é o prolongamento do combate ao narcotráfico e ao terrorismo na América do Sul.

·       Conflitos no Afeganistão: Após os atentados terroristas de 11/09/2001 nos EUA o presidente George W. Bush iniciou uma “cruzada” de combate a Estados e organizações vistas como terroristas. A primeira ação foi a guerra do Afeganistão (2001) com suporte da ONU e nações aliadas (Reino Unido). O objetivo era perseguir e prender Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda e possível mentor dos ataques terroristas de 11/09, e derrubar o governo dos Talibãs (Mulá Omar) que apoiava este grupo terrorista. Os Talibãs foram derrotados em 2001. Os EUA colocou no poder um aliado com a incumbência de reconstruir a nação e instaurar a democracia (Hamid Karzai, no poder desde 2001), marcada pela rivalidade entre as diversidades étnicas e religiosas. Em 2004, o Afeganistão ganhou uma constituição e foi realizada a 1ª eleição, isso não impediu os conflitos, pois as ações são realizadas por grupos contrários ao governo.

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